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segunda-feira, 7 de março de 2016

A Lenda da Escolha do Local do Templo da Salomão

Reza a lenda que uma noite Salomão meditava sobre o local em que deveria construir o Templo, cuja promessa, ainda por cumprir, o incomodava.

Salomão: Mandei construir dezenas de palácios, mas ainda não consegui erguer o Templo em louvor á Glória de DEUS. O Senhor é Testemunha de que não é má vontade de minha parte se ainda não iniciei tão nobre construção, pois não sei reconhecer o local mais apropriado. Toda Jerusalém é sagrada, mas o solo no qual serão levantados os muros do Templo, deverá ser o mais precioso ao Criador.

À meia noite, não conseguindo adormecer, decidiu sair para caminhar. Vestiu-se rápida e silenciosamente para não ser visto pelos serviçais e saiu do palácio. Andou por uma Jerusalém adormecida, passando perto de grandes jardins e bosques, acompanhado somente pelo agradável ruído das folhas que farfalhavam ao vento, até que finalmente chegou ao Monte Moriá.

A colheita recém terminara e do lado sul da montanha já estavam dispostos os feixes de trigo cortados. Salomão apoiou-se em um tronco de oliveira, fechou os olhos e em sua mente começaram a desfilar as mais diversas localidades de seu reinado. Reviu colinas, vales, bosques que lhe pareciam destinados ao templo e dezenas de outros locais por onde havia passado cheio de esperança, mas dos quais saíra decepcionado.

Repentinamente ouve passos, abre os olhos e vê um homem carregando em seus braços um feixe de trigo. Um ladrão pensou rápido. Estava prestes a sair de seu esconderijo sob a árvore, mas conteve-se no último momento. “Vou esperar para ver o que este homem está tramando”

O visitante noturno trabalhava rapidamente e sem ruído. Ele colocou o feixe de trigo no terreno vizinho e voltou para buscar outros. Assim continuou até levar 50 feixes. Depois, olhou preocupado em seu redor, como que para se certificar de que ninguém o havia visto e partiu.

Salomão pensou: Gentil vizinho; o proprietário do terreno não deve saber por que sua colheita diminui durante a noite.  

Mal teve tempo de refletir sobre como punir o ladrão, quando, logo a seguir, outro homem apareceu. Era mais velho do que o anterior. Prudentemente o homem circundou os dois terrenos e, acreditando estar só, pegou um feixe de trigo de um terreno e o levou para o outro, ou seja, fez exatamente o que o outro fizera só que em sentido inverso. Assim, ele fez com mais outros 49 feixes de trigo, partindo depois, em silêncio.

Salomão pensou: Esses vizinhos se merecem; imaginei que só havia um ladrão, mas, de fato, o próprio ladrão acaba sendo ele mesmo, roubado.

No dia seguinte, Salomão convocou os dois proprietários dos terrenos. Deixou o mais velho esperando em uma sala, enquanto interrogava o mais jovem, com severidade:

Salomão: Diga-me com que direito você pega o trigo do terreno de seu vizinho.

O Homem olha surpreso para Salomão, fica vermelho de vergonha, mas responde:
O Homem Jovem: Senhor! Eu jamais faria uma coisa dessas. Gostaria de manter isso em segredo, mas já que fui apanhado, direi a verdade. O trigo que eu transporto me pertence e eu o coloco no campo de meu irmão. Meu irmão e eu herdamos de nosso pai um campo que foi dividido em duas partes iguais, apesar de meu irmão ser casado e ter três filhos enquanto que eu sou solteiro.
Meu irmão precisa de mais trigo que eu, mas não aceita que eu lhe dê. É por isso que levo os feixes para ele, secretamente. Para mim, eles não fazem falta, enquanto que ele, deles necessita.

Salomão, após escutar o relato, levou o homem jovem para outra sala e chamou o proprietário do segundo campo.
Salomão: Diga-me com que direito você pega o trigo do terreno de seu vizinho.
O Homem horrorizado olha surpreso para Salomão e responde:
O Homem Velho: Senhor! Eu jamais faria uma coisa dessas. Na verdade ocorre o contrário. Meu irmão e eu herdamos de nosso pai um campo que foi dividido em duas partes iguais, mas eu conto com a ajuda de minha esposa e de meus três filhos, enquanto que ele está só. Para realizar a sua colheita, ele precisa chamar o ceifeiro e o debulhador, de forma que gasta mais dinheiro do que eu e logo estará passando necessidade. Ele não aceita um único grão de trigo de minha parte e é por isso que eu levo para ele, pelo menos, alguns feixes em segredo. Para mim não fazem falta, enquanto que ele os necessita.
Neste momento, Salomão chamou novamente o irmão mais jovem e emocionado abraçou os dois irmãos e lhes disse:
Salomão: Vi muitas coisas em minha vida mais jamais encontrei dois irmãos tão honestamente desprendidos como vocês. Durante anos vocês foram de uma bondade imensa e recíproca e o mais importante, em segredo. Faço questão de lhes expressar toda a minha admiração e peço que me perdoem por haver suspeitado de que fossem ladrões, quando na verdade são os homens mais nobres da terra. Agora, tenho que lhes pedir um favor. Vendam-me seus terrenos para que eu construa neles o Templo Divino sobre esse solo santificado pelo amor de vocês dois. Nenhum local é mais digno do que esse; em nenhum outro local o Templo encontrará fundamentos mais sólidos.

Os irmãos concordaram de bom grado com o pedido de Salomão. Deram-lhe os campos e Salomão os recompensou, dando-lhes terras mais vastas e férteis.
Salomão em seguida, fez anunciar em toda Israel, que o local sagrado para o Templo de Deus finalmente tinha sido encontrado.

CONCLUSÃO:

Esta lenda está a nos mostrar que quando o AMOR é real, sincero e principalmente VERDADEIRO, está acima dos interesses mesquinhos. A união destes IIrm.´. nos mostraram o quanto a FRATERNIDADE é fundamental para a nossa realização pessoal. A IGUALDADE de pensamentos e de objetivos fica evidenciada nas ações que foram desenvolvidas.
Quantas vezes, como Salomão pensou, tomamos decisões baseadas em evidencias momentâneas, não nos aprofundamos na análise dos fatos que ocorrem. Devemos lembrar sempre que a melhor solução está sempre no meio, no equilíbrio de todas as nossas ações.   





É importante sabermos que...

EM NOSSOS ATOS MAIS SECRETOS DEVEMOS SUPOR SEMPRE QUE TEMOS TODO O MUNDO POR TESTEMUNHA”.

A discrição deve ser uma virtude. As nossas ações devem ser permeadas pela discrição, sem alardes ou discussões vazias, que não levam à lugar nenhum. Quantas vezes nos vemos em meio de discussões fúteis, nas quais nada de proveito retiramos. É necessário que ajamos de acordo com a nossa compreensão dos fatos, fundamentados na razão, verdade e no conhecimento. Ao agir, devemos fazê-lo de forma discreta, procurando, sem ser o foco da atenção, a resposta para as questões levantadas.

O Maçom deve ser implacável no cumprimento do seu dever. Ele deve manipular os seus pensamentos com sinceridade e compreensão e não pode ser indiferente aos caprichos e à covardia. Deve ser inflexível e implacável nos combates dirigidos pela Verdade, Justiça e Tolerância.

É no Silêncio, na Discrição, no Sigilo e no Cumprimento do Dever, que aprendemos os mistérios simbólicos que nos possibilitaram o progresso filosófico do crescimento interior que continuará por toda a nossa vida maçônica; é a condição que nos assegurará o progresso real, permitindo-nos compreender os grandes segredos da Ordem.

Como no caso da oração, devemos estar sempre alerta, para preservar o “sigilo maçônico”. Para resguardar o sigilo da Ordem, não se encontram segredos escritos em nossos rituais. A sua transmissão é oral; de boca para ouvido. É o sigilo de “confessionário”. A Maçonaria proclama o cuidado que se deve ter no trato dos assuntos, sejam eles, filosóficos, morais, ritualísticos, administrativos e os assuntos pessoais de Irmãos.

“A realização individual da busca interior só ocorre no sigilo, silêncio, discrição e no cumprimento do dever (DISCIPLINA)”.

“Aprender a calar é aprender a pensar e aprender a pensar é aprender a meditar”.


“Um Homem capaz de guardar sigilo e silêncio, ser discreto e disciplinado, quando necessário, é DONO do seu EU PRÓPRIO”

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